Antes, uma pequena história para ilustrar: Voltando do almoço – trabalho em uma região com muitos restaurantes e escritórios aqui em Curitiba-PR e sempre há muito movimento nesse horário - parei para tomar um café. Próximo havia uma moça, encostada na parede junto a janela; cigarro em uma mão, celular na outra. Não pude deixar de ouvir um pouco da conversa em que ela reclamava do trabalho, da vida, do céu, da terra, da água, do vento, enfim, do universo como um todo. Como todo o universo conspirava contra ela. Isso me levou a uma reflexão que compartilho na sequencia.
Nós humanos, temos uma tendência para sermos negativos por natureza. Parece que, para nós, é muito mais interessante conversar sobre nossos problemas e infortúnios do que falar sobre coisas alegres, planos para o futuro e vitórias.
Não acredita? Então repare bem. O que chama mais atenção nos jornais, de qualquer tipo de mídia? Tragédias e desgraças variadas, não é mesmo?
A TV está cheia de programas que se especializaram em passar, nos mínimos detalhes, as calamidades e infortúnios da população. Mesmo em programas humorísticos os quadros mais engraçados estão relacionados a algum tipo de infortúnio do personagem. E isso parece estar entranhado na nossa cultura de uma maneira tão enraizada que é difícil botar a cabeça para fora da caverna e enxergar algo diferente das sombras na parede.
Vou dar outro exemplo:
No começo do ano fiz uma viagem com minha família para Aparecida/SP, a capital da fé cristã no Brasil. A estrutura da Basílica e tudo em volta é digna de lugares de 1º mundo. Mas, o que ficou muito claro para mim é como a religião pode trabalhar para que esse tipo de pensamento negativista e de autocomiseração fique entranhado em nossa mente. Não importa aonde você vai na cidade, tudo te faz lembrar que você é um pecador, que você está sempre fazendo algo incorreto, somos pecadores, que temos que ter piedade de nós e por aí vai. Veja bem, é um resumo bem simplista e não tenho nenhum intuito de discutir fé, religião ou qualquer outro tipo de ideologia. Só peço que mantenha a mente aberta e tente ver além da bruma. Esse conceito está na base da fé cristã e a grande maioria de nós é criada nesse tipo de pensamento. E esses conceitos são martelados em nossa mente durante a nossa vida, principalmente durante a infância, em que esses conceitos são absorvidos com maior facilidade. E aí está o grande problema. Isso tende a nos levar para um vórtice de negatividade e auto piedade difícil de eliminar.
E eu sei bem do que estou falando. Demorei muito tempo para entender e ver isso em mim. É difícil fazer uma autocritica e enxergar certos comportamentos e pensamentos indesejados em você mesmo. Por toda a nossa bagagem histórica e cultural passados por nossos pais, avós, escola, igreja, amigos, etc. é muito mais fácil dizer que nossos problemas são culpa do “outro”. Que o mundo conspira contra nós e por aí vai.
Veja bem. Também não estou falando que você deve sair por aí saltitando como uma Pollyanna alienada. Longe disso. Só estou dizendo para fazer o que eu fiz. Olhe para dentro de si e veja se o que digo não tem um pingo de verdade.
No meu caso e em vários conhecidos, sempre há um catalisador. Eu, durante muito me incomodei com esse pensamento negativista, mas, no fim, o que me levou a uma autoanálise foi um livro, muito famoso, chamado O Alquimista, do Paulo Coelho. Até hoje é meu livro de cabeceira. Costumo lê-lo de vez em quando para me lembrar da essência da história, que é bem simples: Você é responsável pelas suas ações e seus pensamentos e eles são o que te levam para onde seu coração deseja – tanto no sentido bom quanto no ruim. Não, não estou aqui para vender o livro, até porque tem certas passagens, digamos, bem “viajadas”, nele. Também não estou aqui para vender uma formula mágica, até porque isso não existe. Mas quero fazer você refletir sobre esse tema, assim como eu fiz. No meu caso o livro foi o catalisador de algo que eu já percebia não estar legal. Na verdade, eu o li por recomendação de um médico, que me atendeu em um posto de saúde da prefeitura de Curitiba, quando eu tinha 14 anos e tive um burnout na semana de provas (poucas horas de sono e muito stress). Li e gostei da história, mas não tive maturidade para compreende-la. Alguns anos depois, já mais maduro, reencontrei o livro e o reli. E assim faço quase todos os anos. Com o passar dos anos e com a experiência e observação entendi o que a história quer realmente passar. Enfim, o que quero dizer, independentemente do que você acredita é:
Saia dessa onda de negatividade e auto piedade! Você é o único responsável pelas suas vitórias e derrotas. Manter o foco no que você quer ajuda sua mente a achar os caminhos para realizar e fazer acontecer. A nossa mente é algo incrível e, se você aprender a usá-la a seu favor muita coisa fantástica vai acontecer.
Fazer isso abriu minha mente, me fez enxergar que nem tudo são flores, mas que nem tudo é o fim do mundo. Me fez ver que somos nosso próprio lobo e que altas doses de otimismo e positividade deixam seu dia melhor e fazem tudo fluir com maior facilidade. Minha receita? Muito simples:
- Parei de dar atenção a conversas negativas. Pessoas negativas se alimentam do seu interesse. Mudo de assunto e tento mostrar o lado positivo. Geralmente a pessoa se cansa de você e te deixa em paz, procurando outra pessoa que se alinhe com sua perspectiva derrotista.
- Assisto pouquíssima televisão.
- Há ótimos canais de entrevistas e conhecimento geral no Youtube que valem uma olhada e uma chance. Há diversos contando histórias de empresas, produtos e pessoas e de como elas fizeram para vencer as dificuldades e como lidaram com fracassos. Gostei muito de uma série do Techmundo que conta a história de grandes empresas japonesas que surgiram a partir das cinzas do pós-guerra, em 1945.
- Passei a fazer meditação. Cerca de 30 minutos por dia. É impressionante como sua mente torna-se mais perspicaz e parece ficar mais objetiva com essa prática.
- Ria mais, até de você mesmo. Rir libera algumas “...inas” que fazem sua mente se acalmar.
- Não entre no modo Hardy Har Har (para quem não sabe, era um desenho animado da Hanna-Barbera em que uma hiena para lá de negativa soltava o bordão: “Oh dia, Oh vida, Oh azar! Isso não vai dar certo!”).
- Pare de reclamar. Isso queima energia com um comportamento que não vai te levar a lugar nenhum. Use essa energia para ver o lado positivo e tirar uma lição daquilo. Você vai perceber, com o tempo, que isso te leva a ideias novas e soluções para os problemas.
E, para finalizar, uma antiga lenda para te fazer refletir:
“Dentro de nós, existe um combate incessante. Há uma batalha entre dois lobos. Um é mau: É raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, auto piedade, culpa, ressentimento, inferioridade, falso orgulho, superioridade e ego. O outro lobo é bom: É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
Pergunta: Nessa batalha, qual lobo vence?
Simples: Aquele que você alimenta.”
Então? Qual lobo você está alimentando hoje?
Think about!
Ricardo Cividanes da Silva
