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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Usando Software Open Source para Diminuir Custos de Licenciamento

 

Antes de mais nada, esse artigo não é sobre as maravilhas e benesses do software livre, até porque, isso não existe. A ideia aqui é levar você a uma reflexão que, muito provavelmente, você acaba não fazendo durante a correria do dia, como, quais os softwares que realmente valem investimento em licenciamento e em quais não.  

    Para empresas gigantes e seus contratos de volume essa não é realmente uma questão que chega a ser tão relevante, mas para o pequeno e médio empresário é a diferença entre colocar uma parte de capital em software ou investir no seu negócio, além de mitigar riscos com pirataria de software.
    Quando falo de software livre, vejo três estratégias macro a adotar:
       a) Radical OpenSource: 100% do software utilizado é livre.
      b) Radical 100% licenciamento pago: 100% do software utilizado vem de empresas que cobram pelo licenciamento.
      c) Mista: Utiliza-se uma mescla de softwares livre ou pago de acordo com cada necessidade.


    Se você está pensando em radicalizar e ir para o 100% opensource, cuidado! O que se economiza em licenciamento acaba sendo gasto em consultoria e treinamento, uma vez que, no Brasil, a grande maioria dos profissionais de T.I. não está devidamente treinada nos softwares OpenSource mais complexos. Há muitos ganhos no longo prazo, mas é um caminho, muitas vezes, bem dolorido.

   Na minha experiência, a estratégia mista é a mais eficiente. Dentro dela existem várias possibilidades. A maioria das empresas costuma adotá-la mesmo sem perceber que estão fazendo isso. Normalmente as estações de trabalho utilizam Windows e só encontraremos software opensource no Datacenter e em seus servidores caros e inacessíveis aos simples mortais.

    Mas muita coisa evoluiu desde que as primeiras distribuições Linux e softwares de escritório opensource surgiram. Atualmente é possível rodar toda uma operação somente com software livre e sem gastar um tostão com licenças. Mas veja bem. Eu disse que é possível, mas, nem sempre, desejável.

    Mais um detalhe que confunde muita gente no cenário OpenSource. Há muitos softwares por aí que se dizem opensource, mas não o são realmente. Todos esses softwares acompanham contratos de licenciamento, os quais poucas pessoas dão atenção, e eles podem trazer armadilhas que podem lhe trazer um grande problema financeiro no futuro. Muitos contratos de licenciamento desses softwares ditos OpenSource só os liberam da aquisição da compra da licença em alguns casos, como estudantes e uso particular e não-comercial. Também a os chamados Community Edition, que são, em geral, versões mais cruas (sem interface ou funcionalidades) que suas pares pagas. Mas, de modo geral, para uso corporativo é necessário pagar a licença de uso. Então, fique atento. Todos os softwares que fazem parte desse estudo são livres de pagamento de licenciamento para uso corporativo.

     Aqui você terá a avaliação que fiz para a implantação de uma operação de uma empresa que está iniciando e quer gastar o mínimo possível com software. A ideia é que a empresa nasça usando software OpenSource:

1) Sistema Operacional – Desktops e notebooks para usuários finais.
    Há 10 anos, quando fiz um primeiro levantamento de uma situação parecida, eu simplesmente recomendaria a compra dos equipamentos com o sistema operacional Windows instalado e pronto. Não havia, efetivamente, uma distribuição Linux que realmente rivalizasse com as facilidades entregues pelo Windows.  Sei que a turma do Linux vai gritar, mas, quando analisamos as coisas em uma T.I. com muitos usuários de nível abaixo da média e que mal sabem ligar e desligar seu computador, o Linux gera mais demanda dos técnicos, que precisam ser ainda mais especializados, do que o Windows.

   Tem a questão do preço, também. A compra de um equipamento de trabalho sem o Windows Professional pode gerar uma economia de cerca de 10%, dependendo da configuração do computador que se está adquirindo.

    Mas, muita coisa mudou nesses últimos anos, inclusive a questão de segurança da informação. Os ataques ficaram mais intensos, com sequestro de equipamentos e redes inteiras e, nesse ponto, o Windows ainda continua extremamente vulnerável quando comparado ao Linux e ao MacOS (que não deixa de ser um Linux por baixo).

    Outro ponto que impacta no Windows é que para conseguir um nível maior de segurança, você vai, invariavelmente, cair em mais licenciamento – Active Directory e suas caríssimas CALs de rede – sem falar em gente especializada e mais softwares para deixar o AD mais palatável.

    Mas a alternativa existe! Sim! Distribuições Linux mais recentes tornam o uso para o usuário final tão simples quanto o uso do Windows, mas, com um elemento primordial. Segurança! Com o Linux na estação cliente é possível isolar muito do que o usuário pode fazer e faz no computador e do restante da rede. Selecionei algumas distribuições aqui que são, realmente, fáceis de instalar, manter e usar:

    i) Linux Mint: Essa distribuição irlandesa é minha escolha para o uso em notebooks e desktops no escritório. Ela é baseada no Ubuntu, é simples de usar, com uma interface bem elaborada, que puxa para algo muito próximo da interface do Windows, facilitando a adaptação dos utilizadores. Com isso é possível disponibilizar tudo o que o usuário final precisa para trabalhar e limitar até onde ele pode ir. É leve, rápido, fácil de instalar e manter e, também, traz toda a segurança do Linux.

    ii) Ubuntu Linux: Essa é a distribuição que realmente tirou o Linux do mundo dos servidores e o colocou a disposição dos usuários finais. Como todas as que coloquei aqui é fácil de usar e tem uma interface elegante. Diferente do Mint, a interface do Ubuntu não é parecida com a do Windows e pode causar certa dificuldade inicial para alguns usuários.

    iii) MX Linux: Outra boa distribuição para uso por usuários finais é a MX. Ela é baseada no Debian, mas acho sua interface menos trabalhada que a do Mint. Entretanto é uma questão de gosto.

    iv) Zorin OS: Li que essa distribuição conseguiu o feito de eliminar o Windows em vários locais da Europa. Fiz um teste instalando no meu velho desktop de guerra que vinha suando frio para rodar o Windows 10 e realmente pude ver na prática o quanto ela é amigável e rápida.  A interface é muito bem trabalhada e pensada para que usuários do Windows fiquem confortáveis utilizando-a.

 

2) Software de Produtividade – Padrão Microsoft Office.

    Assim como sistemas operacionais, existem vários concorrentes do pacote Office. Mas esses pacotes tornaram-se interessantes, de fato, nos últimos anos. Ainda assim, aqui, cabe uma análise estratégica.  O pacote Office 365 é vantajoso se sua equipe é mais avançada e está habituada a conceitos de nuvem e compartilhamento de arquivos, mas o custo é mensal, tem varias versões de pacotes, que ou não tem tudo o que você precisa ou tem coisas demais, entretanto o pacote vem com 1 TB para armazenamento em nuvem e e-mail. Entre as ferramentas pagas, vale olhar o Google Drive com atenção, que já é em nuvem e não precisa de instalações adicionais nos computadores da equipe, agrega e-mail e tem custos parecidos com a ferramenta da Microsoft. Agora, se armazenamento dos seus arquivos em nuvem não é algo que faça diferença para você (até porque, eu como profissional de T.I., só recomendo esse tipo de uso em casos específicos e não para todos os seus colaboradores, pois existem diversas considerações de segurança da informação antes de ir colocando os arquivos da sua empresa na nuvem e compartilhando) existe uma diversidade de ótimas ferramentas que não tem custo de licenciamento. As opções aqui apresentadas são compatíveis com Windows e as distribuições Linux mostradas anteriormente. Então vamos a elas:

   i) LibreOffice: A iniciativa de se criar um pacote de softwares de produtividade não é nova. O LibreOffice nasceu a partir do StarOffice (que era pesado e consumia recursos computacionais com voracidade incomum). Mas, em 2010 surge a The Document Foundation e seu principal projeto: o LibreOffice. Com um time de desenvolvedores, dissidentes do projeto StarOffice, focados em desenvolver uma das melhores suítes de produtividade: o LibreOffice. Atualmente, ele é tão ou mais eficiente que o próprio software da Microsoft. Lê arquivos do próprio sistema da Microsoft sem maiores problemas e grava no formato padrão mundial, o Open Document Format ou simplesmente ODF, que é reconhecido perfeitamente por qualquer um dos softwares que coloco nesse artigo, incluindo o Microsoft Office em suas versões mais recentes e via plugins nas versões mais antigas. O LibreOffice é bem completo e o pacote acompanha o processador de texto Writer, a planilha Calc, montagem de apresentações Impress, desenho vetorial Draw, editor de fórmulas matemáticas Math e banco de dados Base. O LibreOffice, inclusive, é padrão em algumas distribuições Linux.

   ii) OpenOffice:  O outro ramo da antiga suite StarOffice, o OpenOffice tomou um caminho diferente no processo de evolução. Passou nas mãos da Sun Microsystems, Oracle e, por fim, foi repassado para a Apache Software Foundation, que toca o projeto atualmente. Apesar do mesmo código fonte comum, os dois softwares tomaram caminhos distintos e, principalmente, velocidade de desenvolvimento bem diferentes, uma vez que o LibreOffice arrebanhou a grande maioria dos programadores que tocavam o projeto StarOffice.  Ele é um pouco mais pesado, principalmente se estiver rodando em Windows, e é menos evoluído que o LibreOffice em questão de funcionalidades. O software de apresentação da suíte é ainda mais parecido com antigas versões do Powerpoint. De qualquer forma é uma ferramenta que deve ser levada em conta, mas, tendo em conta que sua evolução é bem mais lenta que a do LibreOffice. Uma curiosidade é que o nome dos aplicativos é o mesmo dos do LibreOffice.

   iii) FreeOffice: Outra suíte interessante para quem procura fugir dos altos valores de licenciamento é o FreeOffice. Ao contrário das duas primeiras opções anteriores o FreeOffice é produzido por uma empresa alemã chamada Softmaker e sua interface é muito parecida com o a do Microsoft Office, facilitando a adaptação. Inclusive, é possível deixa-lo com a mesma interface de versões anteriores do Microsoft Office, como a 2007.  Um outro detalhe é que o produto precisa ser ativado, em um processo rápido e por e-mail em que uma chave é enviada. Assim como seus concorrentes acima o FreeOffice tem versões para Windows, Linux e MacOS. Mas exite uma diferença que não deve afetar a grande maioria dos usuários. O FreeOffice tem os 3 aplicativos básicos para esse tipo de ferramenta: o processador de textos TextMaker, planilha de calculo PlanMaker e aplicativo de apresentações Presentations. Aplicativos de desenho, editor de fórmulas matemáticas e banco de dados não estão disponíveis.

  Três ressalvas que valem para qualquer um dos pacotes acima que, eventualmente, você venha a escolher para utilizar em sua empresa:

    a) Nenhum tem recurso de compartilhamento em nuvem embutido e, se isso é uma necessidade, será necessário contratar um serviço a parte. O LibreOffice já tem iniciativa nesse sentido, mas nada que se compare ao serviço ofertado pela Microsoft. Mas isso é algo que deve mudar bastante nas próximas releases.

    b) As ferramentas de planilhas, apesar de muito parecidas, não são o Excel, ao qual a grande maioria dos usuários está treinado/habituado. Este é o ponto de maior pressão quando uma suíte diferente é adotada, com o agravante de que, se você tiver planilhas muito complexas criadas com o Excel, será necessário adaptá-las ao novo software.

    c) Nenhuma das ferramentas de apresentação é tão poderosa quanto o PowerPoint, principalmente se comparadas às versões mais recentes do Microsoft Office. De modo geral elas são muito parecidas com o funcionamento das versões 2010 da suíte da Microsoft.


terça-feira, 3 de março de 2020

Qual lobo você está alimentando?


Antes, uma pequena história para ilustrar: Voltando do almoço – trabalho em uma região com muitos restaurantes e escritórios aqui em Curitiba-PR e sempre há muito movimento nesse horário - parei para tomar um café. Próximo havia uma moça, encostada na parede junto a janela; cigarro em uma mão, celular na outra. Não pude deixar de ouvir um pouco da conversa em que ela reclamava do trabalho, da vida, do céu, da terra, da água, do vento, enfim, do universo como um todo. Como todo o universo conspirava contra ela. Isso me levou a uma reflexão que compartilho na sequencia.
Nós humanos, temos uma tendência para sermos negativos por natureza. Parece que, para nós, é muito mais interessante conversar sobre nossos problemas e infortúnios do que falar sobre coisas alegres, planos para o futuro e vitórias.
Não acredita? Então repare bem. O que chama mais atenção nos jornais, de qualquer tipo de mídia? Tragédias e desgraças variadas, não é mesmo?
A TV está cheia de programas que se especializaram em passar, nos mínimos detalhes, as calamidades e infortúnios da população. Mesmo em programas humorísticos os quadros mais engraçados estão relacionados a algum tipo de infortúnio do personagem. E isso parece estar entranhado na nossa cultura de uma maneira tão enraizada que é difícil botar a cabeça para fora da caverna e enxergar algo diferente das sombras na parede.
Vou dar outro exemplo:
No começo do ano fiz uma viagem com minha família para Aparecida/SP, a capital da fé cristã no Brasil. A estrutura da Basílica e tudo em volta é digna de lugares de 1º mundo. Mas, o que ficou muito claro para mim é como a religião pode trabalhar para que esse tipo de pensamento negativista e de autocomiseração fique entranhado em nossa mente. Não importa aonde você vai na cidade, tudo te faz lembrar que você é um pecador, que você está sempre fazendo algo incorreto, somos pecadores, que temos que ter piedade de nós e por aí vai. Veja bem, é um resumo bem simplista e não tenho nenhum intuito de discutir fé, religião ou qualquer outro tipo de ideologia. Só peço que mantenha a mente aberta e tente ver além da bruma. Esse conceito está na base da fé cristã e a grande maioria de nós é criada nesse tipo de pensamento. E esses conceitos são martelados em nossa mente durante a nossa vida, principalmente durante a infância, em que esses conceitos são absorvidos com maior facilidade. E aí está o grande problema. Isso tende a nos levar para um vórtice de negatividade e auto piedade difícil de eliminar.
E eu sei bem do que estou falando. Demorei muito tempo para entender e ver isso em mim. É difícil fazer uma autocritica e enxergar certos comportamentos e pensamentos indesejados em você mesmo. Por toda a nossa bagagem histórica e cultural passados por nossos pais, avós, escola, igreja, amigos, etc. é muito mais fácil dizer que nossos problemas são culpa do “outro”. Que o mundo conspira contra nós e por aí vai.
Veja bem. Também não estou falando que você deve sair por aí saltitando como uma Pollyanna alienada. Longe disso. Só estou dizendo para fazer o que eu fiz. Olhe para dentro de si e veja se o que digo não tem um pingo de verdade.
No meu caso e em vários conhecidos, sempre há um catalisador. Eu, durante muito me incomodei com esse pensamento negativista, mas, no fim, o que me levou a uma autoanálise foi um livro, muito famoso, chamado O Alquimista, do Paulo Coelho. Até hoje é meu livro de cabeceira. Costumo lê-lo de vez em quando para me lembrar da essência da história, que é bem simples: Você é responsável pelas suas ações e seus pensamentos e eles são o que te levam para onde seu coração deseja – tanto no sentido bom quanto no ruim. Não, não estou aqui para vender o livro, até porque tem certas passagens, digamos, bem “viajadas”, nele. Também não estou aqui para vender uma formula mágica, até porque isso não existe. Mas quero fazer você refletir sobre esse tema, assim como eu fiz. No meu caso o livro foi o catalisador de algo que eu já percebia não estar legal. Na verdade, eu o li por recomendação de um médico, que me atendeu em um posto de saúde da prefeitura de Curitiba, quando eu tinha 14 anos e tive um burnout na semana de provas (poucas horas de sono e muito stress). Li e gostei da história, mas não tive maturidade para compreende-la. Alguns anos depois, já mais maduro, reencontrei o livro e o reli. E assim faço quase todos os anos. Com o passar dos anos e com a experiência e observação entendi o que a história quer realmente passar. Enfim, o que quero dizer, independentemente do que você acredita é:
Saia dessa onda de negatividade e auto piedade! Você é o único responsável pelas suas vitórias e derrotas. Manter o foco no que você quer ajuda sua mente a achar os caminhos para realizar e fazer acontecer. A nossa mente é algo incrível e, se você aprender a usá-la a seu favor muita coisa fantástica vai acontecer.
Fazer isso abriu minha mente, me fez enxergar que nem tudo são flores, mas que nem tudo é o fim do mundo. Me fez ver que somos nosso próprio lobo e que altas doses de otimismo e positividade deixam seu dia melhor e fazem tudo fluir com maior facilidade. Minha receita? Muito simples:
- Parei de dar atenção a conversas negativas. Pessoas negativas se alimentam do seu interesse. Mudo de assunto e tento mostrar o lado positivo. Geralmente a pessoa se cansa de você e te deixa em paz, procurando outra pessoa que se alinhe com sua perspectiva derrotista.
- Assisto pouquíssima televisão.
- Há ótimos canais de entrevistas e conhecimento geral no Youtube que valem uma olhada e uma chance. Há diversos contando histórias de empresas, produtos e pessoas e de como elas fizeram para vencer as dificuldades e como lidaram com fracassos. Gostei muito de uma série do Techmundo que conta a história de grandes empresas japonesas que surgiram a partir das cinzas do pós-guerra, em 1945.
- Passei a fazer meditação. Cerca de 30 minutos por dia. É impressionante como sua mente torna-se mais perspicaz e parece ficar mais objetiva com essa prática.
- Ria mais, até de você mesmo. Rir libera algumas “...inas” que fazem sua mente se acalmar.
- Não entre no modo Hardy Har Har (para quem não sabe, era um desenho animado da Hanna-Barbera em que uma hiena para lá de negativa soltava o bordão: “Oh dia, Oh vida, Oh azar! Isso não vai dar certo!”).
- Pare de reclamar. Isso queima energia com um comportamento que não vai te levar a lugar nenhum. Use essa energia para ver o lado positivo e tirar uma lição daquilo. Você vai perceber, com o tempo, que isso te leva a ideias novas e soluções para os problemas.

E, para finalizar, uma antiga lenda para te fazer refletir:
“Dentro de nós, existe um combate incessante. Há uma batalha entre dois lobos. Um é mau: É raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, auto piedade, culpa, ressentimento, inferioridade, falso orgulho, superioridade e ego. O outro lobo é bom: É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
Pergunta: Nessa batalha, qual lobo vence?
Simples: Aquele que você alimenta.”

Então? Qual lobo você está alimentando hoje?

Think about!
   Ricardo Cividanes da Silva

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Jovem empreendedor foi denunciado por vender hot dogs. Poderia ser o fim, mas algo então aconteceu

Se fosse no Brasil o fiscal ia pedir uma grana pra liberar o negócio, se você não desse ia te botar na geladeira uns 60 dias, aí o corpo de bombeiros ia te enrolar mais uns 60 dias para fazer a vistoria e burocracia e mais burocracia e mais burocracia só para conseguir o alvará. Bom, e como ele é menor de idade, provavelmente seus pais seriam indiciados por trabalho infantil e no fim ele jamais teria um negócio e teria mesmo que ficar na rua vagabundeando. Essa simples noticia diz tanto sobre a visão de empreendedorismo de cada desses dois países que fica fácil entender porque um é uma potencia e o outro é sempre o pais do futuro. Precisamos mudar, mas precisamos todos mudar de dentro para fora, senão nossos filhos é que não terão um futuro.



https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/este-jovem-empreendedor-foi-denunciado-por-vender-hot-dogs-poderia-ser-o-fim-mas-algo-entao-aconteceu-dop0d1x37iozrq3od1iepgx7q

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Escola está matando a leitura?

Lendo as manchetes no site do jornal Gazeta do Povo um artigo me chamou a atenção e fez minha mente começar a processar rapidamente sobre aquele texto. O sugestivo título era "As escolas estão ensinando as crianças a odiar a leitura?" (clique aqui se desejar ler o artigo completo). Fiz um link direto com uma situação que acompanho diariamente em casa, já que tenho dois filhos adolescentes e que parecem querer passar BEM longe de um livro.


Desculpem-me os educadores, mas, realmente, a escola nos ensina a ler, mas, não nos ensina a gostar de ler. Explico.
Isso já acontecia quando eu era estudante, lá nos anos 1980. Os professores de língua portuguesa sempre tentaram nos enfiar livros que, na maioria das vezes nós não tínhamos maturidade para compreender. Não satisfeitos em nos forçar a isso, passávamos aulas e mais aulas dissecando o que o autor quis dizer com isso ou com aquilo. Horas!!
Consigo contar nos dedos quantos dos meus antigos colegas de classe mantém um hábito de leitura. Dos que eu tenho um contato mais direto, somente eu tenho mantido o hábito de ler. Só que leio, ficção, aventuras ou fantasia. Não tenho prazer nenhum em ler nenhum dos "grandes nomes" da literatura nacional e internacional. Passo longe dos Machados de Assis e Guimarães Rosa da vida. E sabe porque? Porque isso foi-me enfiado goela abaixo. Eu e nenhum dos meus colegas tinha maturidade para entender a suposta genialidade de Guimarães Rosa e sua "criação de palavras" - até hoje acho que ele era meio analfabeto. Quando comecei criar palavras minha professora de língua portuguesa pintou toda a minha redação com um lindo tom de vermelho sangue. Quando pedi a explicação de porque aquele individuo podia e eu não...bom...ela não conseguiu explicar. Até porque explicar o inexplicável é impossível, não é mesmo?
Está tudo errado!
Para se expressar bem e escrever bem é preciso ler. Para ler é preciso criar o prazer de ler nas pessoas. E isso se faz desde a mais tenra idade, principalmente em casa, dando o exemplo. Esperar que a escola gere uma nova geração de leitores é querer, que a escola assuma o papel de educar nossos filhos. A escola vai tirar o prazer da leitura deles. Nossa função é resgatar isso e mostrar que a vida fora daquela confusão de naftalinas. Prefiro meu filho lendo Diário de um Banana e minha filha lendo o livro da Maysa Manoela do não ler nada.
Nem tudo está perdido, claro. A escola pode ajudar, sim. Existem algumas ações simples que não vejo mais nas escolas. Na minha época havia uma espécie de clube de leitura. Você escolhia o livro que mais lhe aprouvesse, sem interferência de ninguém. Na minha escola havia muitos livros da coleção vaga-lume, da Editora Ática, que, esses sim, criavam o prazer de ler. Eram rápidos, leves e com histórias com o nível de complexidade ideal para a faixa etária entre 11 e 17 anos. Eu li praticamente toda a primeira leva de títulos dessa coleção.
Cadê os clubes de leitura?
Quer outra ação que os professores de língua portuguesa faziam na minha época de estudante? Eles levavam esses livros para a sala, escolhíamos livremente entre os títulos disponíveis, que não eram poucos, e liamos durante a semana. Ao final fazíamos um resumo sobre o livro e apresentávamos ao professor. Isso tudo com uma carga horária anual muito menor do que a que temos atualmente.
Parece que todas essas iniciativas sumiram, pasteurizadas pelo novo modelo da educação brasileira onde se confunde qualidade de educação com o número de horas que se passa dentro de uma escola.
Eu como profissional, já vejo o efeito dessa geração chegando ao mercado de trabalho, quando leio um simples e-mail em que pessoa não consegue expressar ideias simples, de maneira concisa e com uma certa ordem lógica, sinto um nó na garganta.
Infelizmente não há nada de novo no horizonte que nos de a mínima esperança de que algo mudará. Do governo federal ao governo municipal vemos um bando de burocratas e teóricos que nunca pisaram em uma sala de aula (as vezes tenho a impressão que nem para estudar quando eram crianças) decidindo sobre o futuro da escola de nossos filhos.
Abra o olho!
Se você deseja um futuro melhor para seus rebentos, comece prestando mais atenção neles e nas novidades que trazem da escola ou você criará uma pessoa que já nascerá defasada para um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e avançado que se apresenta ali, logo em frente a esperar pela gente.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

10 coisas que não são inovação



Este artigo foi publicado em 27 de dezembro de 2015 em espanhol no blog 'Innovación con los 5 sentidos' de Javier Sastre no seguinte link .

1. Inovação não é apenas tecnológica
  
Não, não é apenas tecnológica, por mais fácil que seja controlar e quantificar esse tipo de inovação por instituições e organizações que gerenciam seus auxílios, bolsas, etc. (aqui podemos falar sobre miopia de inovação). Vamos continuar com alguns exemplos ilustrativos de grandes inovações não tecnológicas:

  • Uma rotatória não é uma inovação tecnológica. Nem os porões de um cargueiro marítimo. Nem o Facebook, mesmo que ele use uma plataforma incrível na internet.

    Nós poderíamos continuar indefinidamente ...     Sério, há mais inovações não-tecnológicas do que tecnológicas. E não se deve confundir a vantagem que pode ser tomada para inovar usando tecnologias disponíveis e avançadas - como Internet ou smartphones - com a inovação tecnológica diretamente.



2. A inovação NÃO é apenas produto final
   O produto é o mais tangível, mas a inovação é dada em muitos campos: serviço, processos de negócios (fabricação, assistência técnica, vendas, marketing, etc.), organização ou modelo de negócios.

   Os cafés Starbucks são inovadores graças à experiência que eles oferecem aos seus clientes, não pelo café ou a comida que eles vendem.

   Ikea é um tipo de inovação de modelo de negócios porque altera muitas peças do quebra-cabeça que moldam o negócio de mobiliário doméstico: produtos com design nórdico, por um preço justo, clientes que montam o mobiliário que compram, lojas com uma rota fixa, etc.

   A linha de montagem de automóveis, fez fez da Ford uma das maiores na indústria automotiva, no início do século 20, é um tipo claro de inovação organizacional.

   Como é a criação da Cruz Vermelha no século 19, após a batalha de Solferino (1859) entre austríacos, habitantes franceses e piemontes, para evitar que os soldados feridos morressem no campo de batalha, graças à ajuda e colaboração dos voluntários .

3. A inovação não é apenas para grandes empresas.
  É um mito, não ficaria surpreso se fosse inventado por eles mesmos ou por pequenas empresas com vontade de se justificar, que só as grandes empresas têm a capacidade de inovar.

  Pelo contrário, muitas vezes as grandes empresas tornam-se tão imensas e burocráticas, que é muito mais rápido e mais barato comprar startups e outras empresas que inovam nas áreas que os interessam, do que tentar fazê-lo internamente.

  Como amostra, você pode revisar a lista de compras de empresas inovadoras feitas por empresas como o Google (do YouTube e Motorola to Nest ou Waze) ou o Facebook (do Whatsapp ao Instagram).
 
  As empresas pequenas desfrutam de uma agilidade e flexibilidade que facilita enormemente a abordagem e a atitude que favorecem a inovação, tais como: reorientar e redirecionar rapidamente dependendo das mudanças no ambiente, experimentar novas criações no mercado e aprender cedo e por canais bastante diretos o que acontece, seja bom ou ruim; tomar novas decisões, com base no aprendido, quase imediatamente ...

4. A inovação não é uma pessoa (ou um departamento) 
  Quando uma empresa nomeia uma pessoa como responsável pela inovação, geralmente é uma 'pesquisa de emprego', porque na maioria dos casos é dedicada a encontrar ajudas que possam caber e tirar proveito dos projetos que a empresa tem em andamento e que, para, claro, eles não precisam ser inovadores, embora 'vejamos se ele sai'.

  O mesmo pode ser dito de um departamento: não pode ser um departamento inovador se o resto da empresa não é. Uma empresa é inovadora, tudo isso - pelo menos uma maioria - ou não, porque a inovação requer muitas pessoas de diferentes áreas e níveis de colaboração da empresa, tanto na geração de idéias quanto para iniciá-las, através de projetos.

   É mais uma questão cultural do que operacional.

5. A inovação NÃO está fazendo algo novo em nossa empresa
  Outra falácia habitual: dizer que estamos inovando porque estamos fazendo algo novo em nossa empresa. É verdade que, se não tivéssemos um site na empresa até agora e lançássemos um, estamos sendo inovadores?

  A inovação está criando algo novo em TODO o seu setor (e, TAMBÉM, internacionalmente, porque se já existe em outros países, o que você está fazendo é 'importação inovadora'), que proporciona um valor maior aos usuários.

  E se for novo, mas não fornece um valor maior do que as alternativas atuais, então não funcionará e, portanto, não será inovação. Será inventado, como o carro com asas ou o Google Glass.

6. A inovação não é inspiração
  Na inovação não trabalham as musas, ou o papel em branco, mas funciona trabalho persistente e honesto.

  Trabalho continuado, estendido (no sentido de compartilhado com muitas pessoas) e com o método, sabendo o que fazemos e onde queremos ir. E acima de tudo, focado no usuário, perguntando por que ele faz o que ele faz e observando como ele faz isso.

  Thomas A. Edison, inventor da lâmpada, fonógrafo e mil outras invenções (diz-se que durante a vida adulta fez uma invenção a cada 15 dias): 'o gênio é um por cento de inspiração e um noventa e nove por cento de transpiração'.

7. A inovação NÃO é dispendiosa
   Esta é outra das desculpas habituais das pequenas empresas, que assumem que a inovação é criar um robô dotado de inteligência artificial e capacidade de processamento semelhante ao computador IBM Watson.

   Podemos facilmente ver que o pensamento: um exército de engenheiros de jaleco branco, que pululam pelos corredores e instalações enormes e assepticos, cheia de computadores e equipamentos de tecnologia  com luzes e telas que produzem o rumor das fábricas de trabalho a uma velocidade incrível ... Algo que tem a aparência de ser incrivelmente caro e inacessível para as pessoas comuns.

   Este é um tipo de inovação idealizada, suponho graças aos filmes de James Bond, Missão Impossivel e outros semelhantes.

   No entanto, inovar é criar uma aplicação relativamente simples que lhe permita chamar um taxi dirigido por um indivíduo, solicitar uma cotação, seguir sua viagem e pagar por celular (Uber). Reinventar um refrigerador de camping para o século 21 (Coolest Cooler), aproveitando uma inovadora plataforma de microfinanças, como a Kickstarter, para seu financiamento.

8. A inovação não é apenas para pessoas criativas
  A inovação é para todos, porque todos somos criativos. A criatividade é como um músculo: todos nós temos isso, mas pode ser menor ou mais desenvolvido, mais ou menos atrofiado, dependendo de quanto o usamos. Quando crianças, éramos criativos. O que aconteceu depois é o sistema educacional.

  A inovação, como dito anteriormente, é um trabalho em equipe: grupos de pessoas que colaboram, não indivíduos ou elites. Não é (apenas) para engenheiros ou para aqueles que mostram 'criativo' em seu cartão de visita.

9. A inovação não é incremental
  Inovar é criar algo novo, caso contrário, não é inovação. Quando não criamos algo novo, nos referimos a algo chamado de melhoria. Às vezes, penso que o termo 'inovação incremental' foi inventado para justificar a falta de inovações reais daqueles que se declaram como os mais inovadores.

  A partir da experiência, quando buscamos o novo, nós, sem dúvida, temos muitas mais possibilidades de criar e inovar. Porque não estamos satisfeitos com a primeira coisa que aparece, porque somos mais exigentes.

  Quando nos conformamos com o trabalho e a evolução do que temos, ficamos lá, na melhoria. O que também é fundamental, mas que não devemos confundir com a inovação.

  Na verdade, as melhores empresas que conheço, assim que elas inovam, levam o próximo minuto para melhorar a si mesmas, antes de seus concorrentes o fazerem, o que lhes permite estar sempre à frente.

10. A inovação não é um fim em si
   A inovação, para ser eficaz, deve estar a serviço da estratégia da empresa, que é o que decidiu que quer fazer no futuro próximo para alcançar seus objetivos. Não o contrário.

   Se inovarmos como um fim em si, pode acontecer que estejamos inovando para nossos concorrentes: desenvolvendo inovações que talvez não sejam as mais interessantes estrategicamente para nós a longo prazo (elas não nos levarão para onde queremos ser), ou para as quais não teremos capacidades apropriadas para desenvolvê-los e explorá-los ...

  Nesses casos, estaremos oferecendo idéias para concorrentes que podem ser mais qualificados para aproveitá-las do que nós. Algo que, sem dúvida, não nos deixará em bom lugar.

   Aqui eu termino. Eu deixo isso em um decálogo porque é uma bonita cifra  redonda, mas certamente se nos debruçarmos sobre ele, acharemos mais coisas que sabemos que NÃO são verdadeiras sobre a inovação.

Esta publicação foi publicada em 27 de dezembro de 2015 em espanhol no blog 'Innovación con los 5 sentidos' de Javier Sastre no seguinte link .

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Expurgo Nacional

Corrup
Nunca escrevi sobre política, mas diante da onda de lama que não para de nos encobrir, não poderia me furtar de escrever sobre o maior roubo institucionalizado que foi imposto à sociedade brasileira.
Lembro muito bem quando Lula foi eleito Presidente dessa grande nação. A população estava de saco cheio e depositava uma esperança gigantesca na sua figura, de honestidade, integridade, de uma pessoa que veio de baixo e chegou a presidente, que saberia das mazelas de nosso povo e as atacaria com unhas e dentes. Ele foi eleito com boa margem de votos no segundo turno, com uma expressiva bancada no congresso e senado além de uma popularidade que poucos presidentes brasileiros sonharam ter.
O fato é que ele tinha a faca e o queijo na mão para transformar o Brasil em uma nação de primeiro mundo. Executar as reformas necessárias para que o país pudesse finalmente usufruir de um crescimento sólido e virar, no presente, a nação que imaginávamos para o futuro. Mas não. Lula preferiu se locupletar. Criou uma aura quase religiosa em torno de si, como todo ditador almeja, enquanto arquitetava uma quadrilha para pilhar o Brasil. Em vez de fazer as reformas necessárias, aparelhou o estado, contratando mais e mais funcionário públicos - os quais hoje a nação mal consegue pagar -, pegou o esqueminha de corrupção que, como temos visto, já existia nas estatais e demais setores do estado brasileiro e o profissionalizou. Montou um esquemão para se perpetuar no poder, tirou dinheiro do suor dos brasileiro para erguer obras incríveis em outros países, que se alinhavam com a visão torpe petista, enquanto nossa infraestrutura definhava. Criou um Frankenstein e o elegeu para presidente, duas vezes!  Enquanto isso, continuava a levar o seu de um monte de empreiteiras. Traiu a confiança de todos os que depositaram nele sua esperança. E ainda há os que acham que ele é o ser mais honesto do planeta. Mas, como eu disse antes, a coisa via para o nível de religião, onde a razão deixa de comandar.
Mas o inacreditável para Lula e sua quadrilha aconteceu. Uma investigação pequena sobre uma obra na refinaria da Petrobrás, na cidade de Araucária, região metropolitana de Curitiba-PR, acabou se transformando na maior ação contra a corrupção jamais vista no Brasil e no mundo. Um grupo de procuradores e um juiz idealista, colocaram suas vidas particulares em segundo plano para promover uma caça aos corruptos brasileiros. Uma operação chamada de lava-jato, pois começou, efetivamente, com uma operação em um posto em Brasília, que foi para onde o super faturamento das obras em Araucária apontou que o dinheiro era lavado.
Lula e seus asseclas, mas não só eles, como toda a classe política brasileira em atuação no momento, continuam a atacar a operação lava-jato, em ações que cada vez mais indicam desespero. As eleições de 2018 estão aí e muitos deles sabem que não conseguirão manter a boquinha na teta do estado. O que os deixam ainda mais perto do expurgo promovido pela justiça da República de Curitiba.
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Alias, expurgo é a palavra certa para o momento histórico que vivemos no Brasil. É um processo doloroso, mas importante para nós brasileiros como nação. Isso nos faz entender que o estado não pode ser tão paternalista e que ele precisa ser menor, intervir menos nas nossas vidas e, principalmente, cobrar menos pelos serviços que nos presta. O estado não para ter empresas e controlar a economia. Ele deve fomentar e controlar de maneira que a livre iniciativa de mercado funcione e para evitar eventuais abusos. O estado deve atuar aonde é realmente necessário: Saúde, educação e segurança. Estado grande e com um monte de empresas paquidérmicas como temos no Brasil não nos dão alento algum. Só servem para travar a economia e para servir de fonte de renda para uma pequena elite que pouco ou nada faz em prol do país. De que adianta ter uma Petrobrás se continuamos pagando caro pelo combustível que utilizamos? Com a lava-jato em andamento ficou claro que a empresa símbolo nacional só serve a interesses escusos dessa elite de políticos mal-intencionados.
Só seremos primeiro mundo se começarmos e entender o estado como o que ele é. Um servidor para os brasileiros e não o contrário, como quer nossa elite política. Precisamos entender que nós somos o chefes e não os empregados. Precisamos deixar de lado o pensamento de colônia imperial e pensar como país de primeiro mundo. Isso é difícil, demorado e temos uma bagagem cultural complicada de mudar, mas já estamos dando os primeiros passos.

domingo, 18 de junho de 2017

Para todos aqueles que já choraram escondido no banheiro da empresa

Texto de Flavia Gamonar no linkedin em 25/07/2016.

Sete da manhã de um dia de semana qualquer de alguns anos atrás. Era mais uma manhã normal e eu estava me preparando para trabalhar. Tomei meu café da manhã e fui tomar banho. Saio do box para me secar e fito os olhos na bancada da pia, como geralmente fazemos sem perceber. Vejo uma embalagem de shampoo e tento ler o que está escrito, não consigo.

Eu não consigo entender o que aconteceu comigo repentinamente, chego a me apavorar. De um segundo para o outro eu havia perdido a capacidade de ler, era como se não fosse alfabetizada. O desespero piora e eu chamo meu marido, vou pra cama e tento olhar pro celular pra ligar pra minha mãe. Os números não fazem sentido, não entendo nada do que vejo e a partir daquele minuto temo que algo pior aconteça comigo. Perder minhas faculdades mentais e autonomia é algo que me assusta muito.

Tento me acalmar, ainda deitada. Meu marido avisa que não vou trabalhar naquele dia. Alguns minutos se passam e eu volto aos poucos a conseguir ler. Resisto, teimosamente, e não vou ao hospital, mas consigo uma consulta com uma neurologista para o mesmo dia.

Aquela semana eu estava extremamente estressada com o meu trabalho, porque durante meses eu era desrespeitada todos os dias. Era um ambiente instável e do dia para noite tudo mudava. Eu tinha um cargo e um salário bom, mas eu já não suportava mais viver com medo do que aconteceria no minuto seguinte, que podia ser desde refazer um trabalho todo, até precisar fazer as malas e viajar sem nenhum tempo para me planejar - e pasmem, nem pra sacar dinheiro.

No consultório, conto para a médica tudo o que estava vivendo e ela, de uma forma humana e incrível, me diz que já passou por algo parecido e que eu precisava rever a minha vida profissional. Aquele estresse poderia me levar a situações piores. O que eu tive não foi grave e foi passageiro, mas indicou um grau alto de estresse e ela me deu dez dias de licença. É lógico que do outro lado, na empresa, certamente achariam que era frescura de minha parte.

Durante dez dias eu pensei sobre minha vida e o que faria dela, mas ao mesmo tempo assisti cada minuto voar pensando na quantidade de trabalho acumulado que me esperariam e ainda sentia medo de ser demitida depois do ocorrido.

Voltei ao trabalho e tentei ficar mais calma, passei a dizer mais nãos, mesmo sabendo que eles acarretariam resultados ruins. Passei a impor um pouco mais de respeito, a delegar mais. Mas eu só podia ir até certo ponto, porque o risco de me comportar assim era imenso. Eu era apenas uma contratada daquele lugar e estava sujeita à regras, respondia ao um diretor que me cobrava muito.

Nas semanas anteriores ao fato eu me lembro sobre quantas vezes eu fui ao banheiro da empresa chorar escondida. Era preciso chorar baixinho, enxugar as lágrimas rápido e tratar de não sair da cabine com o rosto vermelho e de não demorar muito. Algumas vezes alguém me viu e até fui consolada, a verdade é que muitos estavam no mesmo barco. Em uma dessas vezes eu ouvi de alguém com um importante cargo que eu não era a única a sofrer e que chorar no banheiro ou sentir frustrado e inseguro era algo frequente no mundo laboral.

Entornos de trabalho ruins podem estragar a saúde das pessoas. O estresse que eu vivia me afetava de diversas formas, uma delas se refletia na minha mandíbula. Eu tenho um probleminha na articulação temporomandibular, conhecido popularmente como bruxismo, ou seja, eu ranjo os dentes a noite, o que pode provocar desgaste, dor e até quebrar um dente.Geralmente, quando estou ansiosa ou nervosa costumo ranger ainda mais ao dormir. Mas o nível a que cheguei quando estava naquela empresa foi assustador. Eu rangia muito forte e cheguei a quebrar um dente em determinada noite e me lembro que quando tirei uns dias de férias e fui para a praia, curti dias terríveis com muita dor, que não passava nem com remédio forte receitado por meu cunhado, que é médico. Eu assisti pessoas se divertindo felizes naqueles dias de sol, enquanto eu ficava na cama com muita dor. Acredite, o meu estado mental de estresse estava influenciando fortemente no que eu sentia e em vez de curtir o passeio eu só conseguia pensar nos minutos que faltavam para que eu precisasse voltar a trabalhar naquele lugar.

Sempre que comento por aí sobre insatisfações com empregos, percebo muita gente passando pelo mesmo. Ultimamente tenho me perguntado com frequência o que tem acontecido com o mercado de trabalho, com os gestores, com os colaboradores desses lugares.

É lógico, eu não vou generalizar, há lugares bons e pessoas satisfeitas sim, mas ao entender que do outro lado existe muita gente incompreendida, na função errada, sendo menosprezado, fica evidente que há algo de muito errado acontecendo.

Quando comecei a impor mais respeito sobre mim eu até consegui, de fato, ser um pouco mais respeitada. Mas infelizmente o problema vinha do lugar e eu não conseguiria mudar muito. O resultado? Alguns meses depois eu fui demitida. Na hora doeu, mas em seguida foi uma benção, porque meu tempo ali havia acabado.

Hoje eu agradeço o favor que me fizeram ao me dar um pé na bunda, porque era o combustível que eu precisava pra tratar de ver o mundo de outro jeito e procurar novas formas de trabalhar. Mas eu entendo que atrair uma demissão ou pedir pra sair não é uma escolha frequente, ainda mais em tempos de instabilidade econômica. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não se pode dar ao luxo de fazer isso, elas dependem daquele trabalho para viver. É claro que eu também precisava dele, mas ao entender que estava criando uma doença pior dentro de mim, aceitei que o melhor seria ficar longe dali.

Hoje, a alguns anos livre do que vivi e feliz com meu trabalho atual, consigo enxergar alguns fatores, que talvez ajudem quem está passando por esse problema.

Todo mundo tem problemas

Pode não parecer, mas acredite, todo mundo tem problemas e dias ruins. Todo mundo já passou por uma bronca de um chefe que o colocou lá no chão. Muitos profissionais já aceitaram fazer coisas sem ter a mínima ideia de como as fariam. Muitos já choraram no banheiro escondido. E quase todos já foram trabalhar desejando estar em casa quando estavam com um filho doente ou preocupados com um parente em estado terminal num hospital. A verdade é que todo mundo tem problemas, mas algumas pessoas conseguem aparentar que tudo está bem sempre. Aliás, é o que a vida nos pede o tempo todo, né? Não se cobre tanto.

Há pessoas que vendem a alma, você é uma delas?

Se tem algo que aprendi é que existem pessoas que são capazes de qualquer coisa. Elas podem criar altas cenas, mentir, se apropriar, levar crédito indevido, criar picuinhas. Elas passam por cima do que for preciso para alcançar o que desejam. Elas tem vida longa, porque são extremamente flexíveis e bajulam quem sabem ser a pessoa certa para tal. São capazes de se comunicar com olhares, podem ser extremamente más, mas ao ponto de quase ninguém perceber. Apenas os muito sensíveis percebem. Quantas vezes isso aconteceu comigo? Muitas. E eu sempre me sentia a neurótica, assistindo o vilão agindo sem ninguém perceber. Era quase como assistir a uma novela e se perguntar porque é que a mocinha não percebia que estava diante de um crápula.

Se você tem um líder, agradeça

Assim que eu tive um chefe líder eu entendi o que era ser líder. Ele não queria saber o que eu estava fazendo, ele confiava em mim porque me dava metas. Ele me deixava crescer, não me abafava, me ensinava muitas coisas. Antes dele eu só havia tido um chefe, daqueles que não te deixam nem olhar pro lado, que me perguntava até sobre o motivo de ter me visto conversando com alguém de outra área no café. Então, saiba que ter um líder faz toda diferença. Eu tive um e o agradeço até hoje, somos amigos agora. Se você é um gestor, procure ser um líder também, não um chefe. As pessoas estão sufocadas por gente ruim comandando, não seja mais um.

Nenhum trabalho é sempre um mar de rosas

Não importa o quanto você ame seu trabalho, sempre há coisas que não gostamos, sempre. Encare essas coisas como algo que faz parte, mas que logo algo mais bacana virá. Faça sempre seu melhor, encontre alternativas, busque inovar. Mas se realmente aquele trabalho for mais um fardo do que qualquer outra coisa, mexa-se, você não é uma árvore.

Elogie mais e diga bom dia

Quantas vezes nós mesmos somos responsáveis pelo dia ruim de um trabalhador. Isso acontece quando você dá uma de pedante e não pega o folheto que te dão no semáforo. Quando você vê um gari e passa por ele como se não existisse. Quando julga pessoas pela aparência. Quando deixa de entender que às vezes, um rosto triste ou desanimado num balcão de atendimento não são propositais, daquele outro lado pode existir um profissional passando por grandes problemas. Experimente elogiar sinceramente e dizer bom dia, faça o dia de alguém melhor.

Aprenda a dizer alguns nãos e a delegar

Quantas vezes assumimos tarefas que não são nossas, mas que fazemos por acreditar que será melhor do que pedir pra alguém? Aprenda a focar-se no seu trabalho e a delegar o que não é sua tarefa. É claro que e alguns momentos acabamos fazendo o que não é nossa missão, mas isso não deve acontecer todo dia.

Entenda que entornos não são quem você é

Busque resgatar quem você é lá no fundo e entenda que entornos não são para sempre. Se você convive com gente má, chata, difícil de lidar, em ambientes cheios de picuinhas e problemas, busque ignorar o máximo que puder. Lembre também que colegas de trabalho, na maioria das vezes são só colegas de trabalho, evite contar detalhes de sua vida, evite gerar provas contra você. Por mais difícil que seja o seu entorno, se você não puder se livrar dele agora, centre-se para fazer o melhor trabalho que puder, mas se estiver afetando sua saúde e realmente for impossível, comece a mexer os pauzinhos desde já para conseguir outra oportunidade. Nem sempre ela será óbvia, nem sempre terá o mesmo nome de cargo e às vezes vai te pagar menos do que gostaria. Cabe a você entender o equilíbrio entre trabalho e saúde e fazer suas escolhas. Lembre sempre que nenhum CNPJ vale um AVC.

Se você é um dono de negócio, gestor, busque promover um ambiente melhor para seus funcionários. Não seja mais um carrasco.

A vida é feita de momentos e felizmente o bom e o ruim não duram para sempre. É bom saber também que como o mundo dá voltas, você pode topar amanhã com alguém que maltratou hoje. E esse alguém pode vir a ser um concorrente ou o seu próximo chefe.


Flavia Gamonar é professora em cursos de pós-graduação na USC e ESPM, doutoranda em Mídia e Tecnologia , pesquisadora sobre a nova ecologia dos meios e palestrante sobre marketing e carreira. É co-fundadora da Content Review Brand Yourself e CEO da Hubico, empresas especializadas em marketing e produção de conteúdos. Escolhida uma dos 15 Top Voices Linkedin pelo produção de artigos de destaque na plataforma em 2016. Veja todos os artigos publicados aqui. Cadastre-se no blog www.flaviagamonar.com para receber novidades.

sábado, 17 de junho de 2017

Eu odeio o Estado

Texto de Flavio Quintela no site do Jornal Gazeta do Povo de 16/06/2017

Você provavelmente já ouviu alguém dizer “dinheiro chama dinheiro” ou “melhor ser o mais pobre de uma turma de ricos que ser o mais rico de uma turma de pobres”. Essa noção de que a riqueza gera mais riqueza é bem fundamentada na realidade, apesar de ser o oposto do que defendem estatistas, socialistas, comunistas, marxistas e esquerdistas em geral. Para estes, o que gera riqueza nas mãos do povo é uma entidade mágica chamada redistribuição de renda, como se fosse possível distribuir o que não foi legitimamente criado.

Recentemente, me deparei com a história de uma senhora brasileira que veio para os Estados Unidos. Mãe de uma amiga minha, ela estava falida no Brasil. Sua microempresa tinha fechado por causa da crise econômica, e sua chegada à terceira idade transformou a busca por um emprego numa missão impossível. Sem renda e sem perspectiva de melhora, ligou para a filha, que recentemente obteve a cidadania americana depois de dez anos no país, e pediu ajuda. Ela não queria dinheiro, mas uma maneira de se erguer novamente. A filha lhe ofereceu uma oportunidade: “Mãe, venda tudo o que sobrou e venha para cá. Eu pago a sua passagem e o seu visto e você pode morar comigo por um tempo”. Mesmo sem nunca ter nem sequer saído do estado de São Paulo, a senhora topou. Em menos de três meses conseguiu vender tudo e doar o que não foi possível vender. Seus 61 anos de vida no Brasil foram reduzidos a duas malas grandes e uma pequena, embarcadas com destino à Flórida no início deste ano. Chegou aos Estados Unidos num sábado e na segunda-feira seguinte já tinha conseguido um emprego de meio período. Um tempo depois, recebo uma ligação de minha amiga perguntando se eu a ajudaria a comprar um carro para a mãe. Respondi que sim, e fui informado de que o veículo não poderia custar mais que US$ 3 mil. Passaram-se três dias e lá estava ela, pegando seu Hyundai Sonata 2003 completo – ar digital, teto solar, motor V6, banco elétrico – pela bagatela de US$ 2,7 mil, o equivalente a um mês e meio de salário. Fez um plano de telefone celular com ligações, mensagens e dados ilimitados por US$ 30 mensais. Para recompor o guarda-roupa, foi até a Ross, loja que vende coleções de moda antigas por uma fração do preço original, e levou mais de 15 peças por US$ 110. A compra foi tão boa que ela continua contando a mesma história sempre que nos encontramos.

O que essa senhora experimentou, e o que eu e tantos outros brasileiros temos experimentado, é uma vida em meio à riqueza e pujança econômica. Quem já andou pelas favelas de São Paulo ou de qualquer outra capital brasileira tem dificuldade de acreditar que está andando num bairro pobre quando vem a Orlando. A economia de mercado e a ampla concorrência fazem da América um lugar acessível; em outras palavras, é muito melhor ser pobre aqui que no Brasil.

A esperança messiânica que os brasileiros têm no Estado é um entrave fatal ao desenvolvimento de nosso país. O maldito conceito de que o governo precisa fazer algo por nós é a pior de nossas chagas. A geração de riqueza e a economia de mercado fazem pelos pobres americanos muito mais do que nosso governo astronomicamente inchado e burocrático faz pelos pobres brasileiros. Para piorar, a intervenção estatal não se restringe à economia; ela avança sobre todas as liberdades individuais, transformando os cidadãos em crianças incapazes. Eu vi, alguns dias atrás, um exemplo de como a interferência do Estado na vida do cidadão está chegando a níveis absurdos e inacreditáveis. De acordo com reportagens exibidas nos principais portais de notícias brasileiros, o Ministério da Saúde quer proibir o refil gratuito de refrigerante em lanchonetes e restaurantes. Sim, é isso mesmo que você leu: o governo quer proibir as lanchonetes de lhe oferecer refil gratuito porque o governo entende que você é tão imbecil que não consegue nem decidir por si mesmo a quantidade de refrigerante que deve tomar. Para o Estado, não passamos de 200 milhões de imbecis que precisam ser tutelados em tudo o que fazem. O Estado se mete em nossa alimentação, em nosso relacionamento familiar, em nosso emprego, em nossa conta bancária, em nossa casa e até mesmo em nossa fé. Quanto mais alimentarmos esse monstro, menos riqueza e liberdade sobrarão em nossas mãos.

O brasileiro precisa aprender a odiar o Estado. Qualquer sentimento mais fraco que esse não será suficiente para gerar a mudança de paradigma de que precisamos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Movimento Perpétuo

 Imagine máquinas capazes de gerar energia infinitamente, usando seu próprio movimento e sem gerar poluição, como a máquina da imagem acima?
As leis da física dizem que isso não é possível. Que o atrito, em algum momento vai fazê-la parar.
Mas há uma máquina no planeta terra que é capaz de gerar esse movimento perpétuo. Não de forma mecânica, mas com uma força incrivelmente transformadora e inesgotável!
O conhecimento gerado pelo ser humano!
O ser humano é capaz de aprender e imaginar e, a partir disso, gerar ainda mais conhecimento, em um movimento perpétuo!
Desde as coisas mais simples até as mais complexas. Desde os tempos mais remotos os humanos vem evoluindo e gerando saber através dos tempos.
Descobrimos o fogo, inventamos a roda, navegamos pelos oceanos, aprendemos a gerar e utilizar a eletricidade para revolucionar o mundo em que vivemos, fomos à Lua e vamos a Marte e quem sabe aonde mais a geração de conhecimento nos levará em seu movimento continuo e perpétuo.