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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Expurgo Nacional

Corrup
Nunca escrevi sobre política, mas diante da onda de lama que não para de nos encobrir, não poderia me furtar de escrever sobre o maior roubo institucionalizado que foi imposto à sociedade brasileira.
Lembro muito bem quando Lula foi eleito Presidente dessa grande nação. A população estava de saco cheio e depositava uma esperança gigantesca na sua figura, de honestidade, integridade, de uma pessoa que veio de baixo e chegou a presidente, que saberia das mazelas de nosso povo e as atacaria com unhas e dentes. Ele foi eleito com boa margem de votos no segundo turno, com uma expressiva bancada no congresso e senado além de uma popularidade que poucos presidentes brasileiros sonharam ter.
O fato é que ele tinha a faca e o queijo na mão para transformar o Brasil em uma nação de primeiro mundo. Executar as reformas necessárias para que o país pudesse finalmente usufruir de um crescimento sólido e virar, no presente, a nação que imaginávamos para o futuro. Mas não. Lula preferiu se locupletar. Criou uma aura quase religiosa em torno de si, como todo ditador almeja, enquanto arquitetava uma quadrilha para pilhar o Brasil. Em vez de fazer as reformas necessárias, aparelhou o estado, contratando mais e mais funcionário públicos - os quais hoje a nação mal consegue pagar -, pegou o esqueminha de corrupção que, como temos visto, já existia nas estatais e demais setores do estado brasileiro e o profissionalizou. Montou um esquemão para se perpetuar no poder, tirou dinheiro do suor dos brasileiro para erguer obras incríveis em outros países, que se alinhavam com a visão torpe petista, enquanto nossa infraestrutura definhava. Criou um Frankenstein e o elegeu para presidente, duas vezes!  Enquanto isso, continuava a levar o seu de um monte de empreiteiras. Traiu a confiança de todos os que depositaram nele sua esperança. E ainda há os que acham que ele é o ser mais honesto do planeta. Mas, como eu disse antes, a coisa via para o nível de religião, onde a razão deixa de comandar.
Mas o inacreditável para Lula e sua quadrilha aconteceu. Uma investigação pequena sobre uma obra na refinaria da Petrobrás, na cidade de Araucária, região metropolitana de Curitiba-PR, acabou se transformando na maior ação contra a corrupção jamais vista no Brasil e no mundo. Um grupo de procuradores e um juiz idealista, colocaram suas vidas particulares em segundo plano para promover uma caça aos corruptos brasileiros. Uma operação chamada de lava-jato, pois começou, efetivamente, com uma operação em um posto em Brasília, que foi para onde o super faturamento das obras em Araucária apontou que o dinheiro era lavado.
Lula e seus asseclas, mas não só eles, como toda a classe política brasileira em atuação no momento, continuam a atacar a operação lava-jato, em ações que cada vez mais indicam desespero. As eleições de 2018 estão aí e muitos deles sabem que não conseguirão manter a boquinha na teta do estado. O que os deixam ainda mais perto do expurgo promovido pela justiça da República de Curitiba.
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Alias, expurgo é a palavra certa para o momento histórico que vivemos no Brasil. É um processo doloroso, mas importante para nós brasileiros como nação. Isso nos faz entender que o estado não pode ser tão paternalista e que ele precisa ser menor, intervir menos nas nossas vidas e, principalmente, cobrar menos pelos serviços que nos presta. O estado não para ter empresas e controlar a economia. Ele deve fomentar e controlar de maneira que a livre iniciativa de mercado funcione e para evitar eventuais abusos. O estado deve atuar aonde é realmente necessário: Saúde, educação e segurança. Estado grande e com um monte de empresas paquidérmicas como temos no Brasil não nos dão alento algum. Só servem para travar a economia e para servir de fonte de renda para uma pequena elite que pouco ou nada faz em prol do país. De que adianta ter uma Petrobrás se continuamos pagando caro pelo combustível que utilizamos? Com a lava-jato em andamento ficou claro que a empresa símbolo nacional só serve a interesses escusos dessa elite de políticos mal-intencionados.
Só seremos primeiro mundo se começarmos e entender o estado como o que ele é. Um servidor para os brasileiros e não o contrário, como quer nossa elite política. Precisamos entender que nós somos o chefes e não os empregados. Precisamos deixar de lado o pensamento de colônia imperial e pensar como país de primeiro mundo. Isso é difícil, demorado e temos uma bagagem cultural complicada de mudar, mas já estamos dando os primeiros passos.

domingo, 18 de junho de 2017

Para todos aqueles que já choraram escondido no banheiro da empresa

Texto de Flavia Gamonar no linkedin em 25/07/2016.

Sete da manhã de um dia de semana qualquer de alguns anos atrás. Era mais uma manhã normal e eu estava me preparando para trabalhar. Tomei meu café da manhã e fui tomar banho. Saio do box para me secar e fito os olhos na bancada da pia, como geralmente fazemos sem perceber. Vejo uma embalagem de shampoo e tento ler o que está escrito, não consigo.

Eu não consigo entender o que aconteceu comigo repentinamente, chego a me apavorar. De um segundo para o outro eu havia perdido a capacidade de ler, era como se não fosse alfabetizada. O desespero piora e eu chamo meu marido, vou pra cama e tento olhar pro celular pra ligar pra minha mãe. Os números não fazem sentido, não entendo nada do que vejo e a partir daquele minuto temo que algo pior aconteça comigo. Perder minhas faculdades mentais e autonomia é algo que me assusta muito.

Tento me acalmar, ainda deitada. Meu marido avisa que não vou trabalhar naquele dia. Alguns minutos se passam e eu volto aos poucos a conseguir ler. Resisto, teimosamente, e não vou ao hospital, mas consigo uma consulta com uma neurologista para o mesmo dia.

Aquela semana eu estava extremamente estressada com o meu trabalho, porque durante meses eu era desrespeitada todos os dias. Era um ambiente instável e do dia para noite tudo mudava. Eu tinha um cargo e um salário bom, mas eu já não suportava mais viver com medo do que aconteceria no minuto seguinte, que podia ser desde refazer um trabalho todo, até precisar fazer as malas e viajar sem nenhum tempo para me planejar - e pasmem, nem pra sacar dinheiro.

No consultório, conto para a médica tudo o que estava vivendo e ela, de uma forma humana e incrível, me diz que já passou por algo parecido e que eu precisava rever a minha vida profissional. Aquele estresse poderia me levar a situações piores. O que eu tive não foi grave e foi passageiro, mas indicou um grau alto de estresse e ela me deu dez dias de licença. É lógico que do outro lado, na empresa, certamente achariam que era frescura de minha parte.

Durante dez dias eu pensei sobre minha vida e o que faria dela, mas ao mesmo tempo assisti cada minuto voar pensando na quantidade de trabalho acumulado que me esperariam e ainda sentia medo de ser demitida depois do ocorrido.

Voltei ao trabalho e tentei ficar mais calma, passei a dizer mais nãos, mesmo sabendo que eles acarretariam resultados ruins. Passei a impor um pouco mais de respeito, a delegar mais. Mas eu só podia ir até certo ponto, porque o risco de me comportar assim era imenso. Eu era apenas uma contratada daquele lugar e estava sujeita à regras, respondia ao um diretor que me cobrava muito.

Nas semanas anteriores ao fato eu me lembro sobre quantas vezes eu fui ao banheiro da empresa chorar escondida. Era preciso chorar baixinho, enxugar as lágrimas rápido e tratar de não sair da cabine com o rosto vermelho e de não demorar muito. Algumas vezes alguém me viu e até fui consolada, a verdade é que muitos estavam no mesmo barco. Em uma dessas vezes eu ouvi de alguém com um importante cargo que eu não era a única a sofrer e que chorar no banheiro ou sentir frustrado e inseguro era algo frequente no mundo laboral.

Entornos de trabalho ruins podem estragar a saúde das pessoas. O estresse que eu vivia me afetava de diversas formas, uma delas se refletia na minha mandíbula. Eu tenho um probleminha na articulação temporomandibular, conhecido popularmente como bruxismo, ou seja, eu ranjo os dentes a noite, o que pode provocar desgaste, dor e até quebrar um dente.Geralmente, quando estou ansiosa ou nervosa costumo ranger ainda mais ao dormir. Mas o nível a que cheguei quando estava naquela empresa foi assustador. Eu rangia muito forte e cheguei a quebrar um dente em determinada noite e me lembro que quando tirei uns dias de férias e fui para a praia, curti dias terríveis com muita dor, que não passava nem com remédio forte receitado por meu cunhado, que é médico. Eu assisti pessoas se divertindo felizes naqueles dias de sol, enquanto eu ficava na cama com muita dor. Acredite, o meu estado mental de estresse estava influenciando fortemente no que eu sentia e em vez de curtir o passeio eu só conseguia pensar nos minutos que faltavam para que eu precisasse voltar a trabalhar naquele lugar.

Sempre que comento por aí sobre insatisfações com empregos, percebo muita gente passando pelo mesmo. Ultimamente tenho me perguntado com frequência o que tem acontecido com o mercado de trabalho, com os gestores, com os colaboradores desses lugares.

É lógico, eu não vou generalizar, há lugares bons e pessoas satisfeitas sim, mas ao entender que do outro lado existe muita gente incompreendida, na função errada, sendo menosprezado, fica evidente que há algo de muito errado acontecendo.

Quando comecei a impor mais respeito sobre mim eu até consegui, de fato, ser um pouco mais respeitada. Mas infelizmente o problema vinha do lugar e eu não conseguiria mudar muito. O resultado? Alguns meses depois eu fui demitida. Na hora doeu, mas em seguida foi uma benção, porque meu tempo ali havia acabado.

Hoje eu agradeço o favor que me fizeram ao me dar um pé na bunda, porque era o combustível que eu precisava pra tratar de ver o mundo de outro jeito e procurar novas formas de trabalhar. Mas eu entendo que atrair uma demissão ou pedir pra sair não é uma escolha frequente, ainda mais em tempos de instabilidade econômica. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não se pode dar ao luxo de fazer isso, elas dependem daquele trabalho para viver. É claro que eu também precisava dele, mas ao entender que estava criando uma doença pior dentro de mim, aceitei que o melhor seria ficar longe dali.

Hoje, a alguns anos livre do que vivi e feliz com meu trabalho atual, consigo enxergar alguns fatores, que talvez ajudem quem está passando por esse problema.

Todo mundo tem problemas

Pode não parecer, mas acredite, todo mundo tem problemas e dias ruins. Todo mundo já passou por uma bronca de um chefe que o colocou lá no chão. Muitos profissionais já aceitaram fazer coisas sem ter a mínima ideia de como as fariam. Muitos já choraram no banheiro escondido. E quase todos já foram trabalhar desejando estar em casa quando estavam com um filho doente ou preocupados com um parente em estado terminal num hospital. A verdade é que todo mundo tem problemas, mas algumas pessoas conseguem aparentar que tudo está bem sempre. Aliás, é o que a vida nos pede o tempo todo, né? Não se cobre tanto.

Há pessoas que vendem a alma, você é uma delas?

Se tem algo que aprendi é que existem pessoas que são capazes de qualquer coisa. Elas podem criar altas cenas, mentir, se apropriar, levar crédito indevido, criar picuinhas. Elas passam por cima do que for preciso para alcançar o que desejam. Elas tem vida longa, porque são extremamente flexíveis e bajulam quem sabem ser a pessoa certa para tal. São capazes de se comunicar com olhares, podem ser extremamente más, mas ao ponto de quase ninguém perceber. Apenas os muito sensíveis percebem. Quantas vezes isso aconteceu comigo? Muitas. E eu sempre me sentia a neurótica, assistindo o vilão agindo sem ninguém perceber. Era quase como assistir a uma novela e se perguntar porque é que a mocinha não percebia que estava diante de um crápula.

Se você tem um líder, agradeça

Assim que eu tive um chefe líder eu entendi o que era ser líder. Ele não queria saber o que eu estava fazendo, ele confiava em mim porque me dava metas. Ele me deixava crescer, não me abafava, me ensinava muitas coisas. Antes dele eu só havia tido um chefe, daqueles que não te deixam nem olhar pro lado, que me perguntava até sobre o motivo de ter me visto conversando com alguém de outra área no café. Então, saiba que ter um líder faz toda diferença. Eu tive um e o agradeço até hoje, somos amigos agora. Se você é um gestor, procure ser um líder também, não um chefe. As pessoas estão sufocadas por gente ruim comandando, não seja mais um.

Nenhum trabalho é sempre um mar de rosas

Não importa o quanto você ame seu trabalho, sempre há coisas que não gostamos, sempre. Encare essas coisas como algo que faz parte, mas que logo algo mais bacana virá. Faça sempre seu melhor, encontre alternativas, busque inovar. Mas se realmente aquele trabalho for mais um fardo do que qualquer outra coisa, mexa-se, você não é uma árvore.

Elogie mais e diga bom dia

Quantas vezes nós mesmos somos responsáveis pelo dia ruim de um trabalhador. Isso acontece quando você dá uma de pedante e não pega o folheto que te dão no semáforo. Quando você vê um gari e passa por ele como se não existisse. Quando julga pessoas pela aparência. Quando deixa de entender que às vezes, um rosto triste ou desanimado num balcão de atendimento não são propositais, daquele outro lado pode existir um profissional passando por grandes problemas. Experimente elogiar sinceramente e dizer bom dia, faça o dia de alguém melhor.

Aprenda a dizer alguns nãos e a delegar

Quantas vezes assumimos tarefas que não são nossas, mas que fazemos por acreditar que será melhor do que pedir pra alguém? Aprenda a focar-se no seu trabalho e a delegar o que não é sua tarefa. É claro que e alguns momentos acabamos fazendo o que não é nossa missão, mas isso não deve acontecer todo dia.

Entenda que entornos não são quem você é

Busque resgatar quem você é lá no fundo e entenda que entornos não são para sempre. Se você convive com gente má, chata, difícil de lidar, em ambientes cheios de picuinhas e problemas, busque ignorar o máximo que puder. Lembre também que colegas de trabalho, na maioria das vezes são só colegas de trabalho, evite contar detalhes de sua vida, evite gerar provas contra você. Por mais difícil que seja o seu entorno, se você não puder se livrar dele agora, centre-se para fazer o melhor trabalho que puder, mas se estiver afetando sua saúde e realmente for impossível, comece a mexer os pauzinhos desde já para conseguir outra oportunidade. Nem sempre ela será óbvia, nem sempre terá o mesmo nome de cargo e às vezes vai te pagar menos do que gostaria. Cabe a você entender o equilíbrio entre trabalho e saúde e fazer suas escolhas. Lembre sempre que nenhum CNPJ vale um AVC.

Se você é um dono de negócio, gestor, busque promover um ambiente melhor para seus funcionários. Não seja mais um carrasco.

A vida é feita de momentos e felizmente o bom e o ruim não duram para sempre. É bom saber também que como o mundo dá voltas, você pode topar amanhã com alguém que maltratou hoje. E esse alguém pode vir a ser um concorrente ou o seu próximo chefe.


Flavia Gamonar é professora em cursos de pós-graduação na USC e ESPM, doutoranda em Mídia e Tecnologia , pesquisadora sobre a nova ecologia dos meios e palestrante sobre marketing e carreira. É co-fundadora da Content Review Brand Yourself e CEO da Hubico, empresas especializadas em marketing e produção de conteúdos. Escolhida uma dos 15 Top Voices Linkedin pelo produção de artigos de destaque na plataforma em 2016. Veja todos os artigos publicados aqui. Cadastre-se no blog www.flaviagamonar.com para receber novidades.

sábado, 17 de junho de 2017

Eu odeio o Estado

Texto de Flavio Quintela no site do Jornal Gazeta do Povo de 16/06/2017

Você provavelmente já ouviu alguém dizer “dinheiro chama dinheiro” ou “melhor ser o mais pobre de uma turma de ricos que ser o mais rico de uma turma de pobres”. Essa noção de que a riqueza gera mais riqueza é bem fundamentada na realidade, apesar de ser o oposto do que defendem estatistas, socialistas, comunistas, marxistas e esquerdistas em geral. Para estes, o que gera riqueza nas mãos do povo é uma entidade mágica chamada redistribuição de renda, como se fosse possível distribuir o que não foi legitimamente criado.

Recentemente, me deparei com a história de uma senhora brasileira que veio para os Estados Unidos. Mãe de uma amiga minha, ela estava falida no Brasil. Sua microempresa tinha fechado por causa da crise econômica, e sua chegada à terceira idade transformou a busca por um emprego numa missão impossível. Sem renda e sem perspectiva de melhora, ligou para a filha, que recentemente obteve a cidadania americana depois de dez anos no país, e pediu ajuda. Ela não queria dinheiro, mas uma maneira de se erguer novamente. A filha lhe ofereceu uma oportunidade: “Mãe, venda tudo o que sobrou e venha para cá. Eu pago a sua passagem e o seu visto e você pode morar comigo por um tempo”. Mesmo sem nunca ter nem sequer saído do estado de São Paulo, a senhora topou. Em menos de três meses conseguiu vender tudo e doar o que não foi possível vender. Seus 61 anos de vida no Brasil foram reduzidos a duas malas grandes e uma pequena, embarcadas com destino à Flórida no início deste ano. Chegou aos Estados Unidos num sábado e na segunda-feira seguinte já tinha conseguido um emprego de meio período. Um tempo depois, recebo uma ligação de minha amiga perguntando se eu a ajudaria a comprar um carro para a mãe. Respondi que sim, e fui informado de que o veículo não poderia custar mais que US$ 3 mil. Passaram-se três dias e lá estava ela, pegando seu Hyundai Sonata 2003 completo – ar digital, teto solar, motor V6, banco elétrico – pela bagatela de US$ 2,7 mil, o equivalente a um mês e meio de salário. Fez um plano de telefone celular com ligações, mensagens e dados ilimitados por US$ 30 mensais. Para recompor o guarda-roupa, foi até a Ross, loja que vende coleções de moda antigas por uma fração do preço original, e levou mais de 15 peças por US$ 110. A compra foi tão boa que ela continua contando a mesma história sempre que nos encontramos.

O que essa senhora experimentou, e o que eu e tantos outros brasileiros temos experimentado, é uma vida em meio à riqueza e pujança econômica. Quem já andou pelas favelas de São Paulo ou de qualquer outra capital brasileira tem dificuldade de acreditar que está andando num bairro pobre quando vem a Orlando. A economia de mercado e a ampla concorrência fazem da América um lugar acessível; em outras palavras, é muito melhor ser pobre aqui que no Brasil.

A esperança messiânica que os brasileiros têm no Estado é um entrave fatal ao desenvolvimento de nosso país. O maldito conceito de que o governo precisa fazer algo por nós é a pior de nossas chagas. A geração de riqueza e a economia de mercado fazem pelos pobres americanos muito mais do que nosso governo astronomicamente inchado e burocrático faz pelos pobres brasileiros. Para piorar, a intervenção estatal não se restringe à economia; ela avança sobre todas as liberdades individuais, transformando os cidadãos em crianças incapazes. Eu vi, alguns dias atrás, um exemplo de como a interferência do Estado na vida do cidadão está chegando a níveis absurdos e inacreditáveis. De acordo com reportagens exibidas nos principais portais de notícias brasileiros, o Ministério da Saúde quer proibir o refil gratuito de refrigerante em lanchonetes e restaurantes. Sim, é isso mesmo que você leu: o governo quer proibir as lanchonetes de lhe oferecer refil gratuito porque o governo entende que você é tão imbecil que não consegue nem decidir por si mesmo a quantidade de refrigerante que deve tomar. Para o Estado, não passamos de 200 milhões de imbecis que precisam ser tutelados em tudo o que fazem. O Estado se mete em nossa alimentação, em nosso relacionamento familiar, em nosso emprego, em nossa conta bancária, em nossa casa e até mesmo em nossa fé. Quanto mais alimentarmos esse monstro, menos riqueza e liberdade sobrarão em nossas mãos.

O brasileiro precisa aprender a odiar o Estado. Qualquer sentimento mais fraco que esse não será suficiente para gerar a mudança de paradigma de que precisamos.