Para empresas gigantes e seus contratos de volume essa não é realmente uma questão que chega a ser tão relevante, mas para o pequeno e médio empresário é a diferença entre colocar uma parte de capital em software ou investir no seu negócio, além de mitigar riscos com pirataria de software.
Quando falo de software livre, vejo três estratégias macro a adotar:
a) Radical OpenSource: 100% do software utilizado é livre.
b) Radical 100% licenciamento pago: 100% do software utilizado vem de empresas que cobram pelo licenciamento.
c) Mista: Utiliza-se uma mescla de softwares livre ou pago de acordo com cada necessidade.
Se você está pensando em radicalizar e ir para o 100% opensource, cuidado! O que se economiza em licenciamento acaba sendo gasto em consultoria e treinamento, uma vez que, no Brasil, a grande maioria dos profissionais de T.I. não está devidamente treinada nos softwares OpenSource mais complexos. Há muitos ganhos no longo prazo, mas é um caminho, muitas vezes, bem dolorido.
Na minha experiência, a estratégia mista é a mais eficiente. Dentro dela existem várias possibilidades. A maioria das empresas costuma adotá-la mesmo sem perceber que estão fazendo isso. Normalmente as estações de trabalho utilizam Windows e só encontraremos software opensource no Datacenter e em seus servidores caros e inacessíveis aos simples mortais.
Mas muita coisa evoluiu desde que as primeiras distribuições Linux e softwares de escritório opensource surgiram. Atualmente é possível rodar toda uma operação somente com software livre e sem gastar um tostão com licenças. Mas veja bem. Eu disse que é possível, mas, nem sempre, desejável.
Mais um detalhe que confunde muita gente no cenário OpenSource. Há muitos softwares por aí que se dizem opensource, mas não o são realmente. Todos esses softwares acompanham contratos de licenciamento, os quais poucas pessoas dão atenção, e eles podem trazer armadilhas que podem lhe trazer um grande problema financeiro no futuro. Muitos contratos de licenciamento desses softwares ditos OpenSource só os liberam da aquisição da compra da licença em alguns casos, como estudantes e uso particular e não-comercial. Também a os chamados Community Edition, que são, em geral, versões mais cruas (sem interface ou funcionalidades) que suas pares pagas. Mas, de modo geral, para uso corporativo é necessário pagar a licença de uso. Então, fique atento. Todos os softwares que fazem parte desse estudo são livres de pagamento de licenciamento para uso corporativo.
Aqui você terá a avaliação que fiz para a implantação de uma operação de uma empresa que está iniciando e quer gastar o mínimo possível com software. A ideia é que a empresa nasça usando software OpenSource:
1) Sistema Operacional – Desktops e notebooks para usuários finais.
Há 10 anos, quando fiz um primeiro levantamento de uma situação parecida, eu simplesmente recomendaria a compra dos equipamentos com o sistema operacional Windows instalado e pronto. Não havia, efetivamente, uma distribuição Linux que realmente rivalizasse com as facilidades entregues pelo Windows. Sei que a turma do Linux vai gritar, mas, quando analisamos as coisas em uma T.I. com muitos usuários de nível abaixo da média e que mal sabem ligar e desligar seu computador, o Linux gera mais demanda dos técnicos, que precisam ser ainda mais especializados, do que o Windows.
Tem a questão do preço, também. A compra de um equipamento de trabalho sem o Windows Professional pode gerar uma economia de cerca de 10%, dependendo da configuração do computador que se está adquirindo.
Mas, muita coisa mudou nesses últimos anos, inclusive a questão de segurança da informação. Os ataques ficaram mais intensos, com sequestro de equipamentos e redes inteiras e, nesse ponto, o Windows ainda continua extremamente vulnerável quando comparado ao Linux e ao MacOS (que não deixa de ser um Linux por baixo).
Outro ponto que impacta no Windows é que para conseguir um nível maior de segurança, você vai, invariavelmente, cair em mais licenciamento – Active Directory e suas caríssimas CALs de rede – sem falar em gente especializada e mais softwares para deixar o AD mais palatável.
Mas a alternativa existe! Sim! Distribuições Linux mais recentes tornam o uso para o usuário final tão simples quanto o uso do Windows, mas, com um elemento primordial. Segurança! Com o Linux na estação cliente é possível isolar muito do que o usuário pode fazer e faz no computador e do restante da rede. Selecionei algumas distribuições aqui que são, realmente, fáceis de instalar, manter e usar:
i) Linux Mint: Essa distribuição irlandesa é minha escolha para o uso em notebooks e desktops no escritório. Ela é baseada no Ubuntu, é simples de usar, com uma interface bem elaborada, que puxa para algo muito próximo da interface do Windows, facilitando a adaptação dos utilizadores. Com isso é possível disponibilizar tudo o que o usuário final precisa para trabalhar e limitar até onde ele pode ir. É leve, rápido, fácil de instalar e manter e, também, traz toda a segurança do Linux.
ii) Ubuntu Linux: Essa é a distribuição que realmente tirou o Linux do mundo dos servidores e o colocou a disposição dos usuários finais. Como todas as que coloquei aqui é fácil de usar e tem uma interface elegante. Diferente do Mint, a interface do Ubuntu não é parecida com a do Windows e pode causar certa dificuldade inicial para alguns usuários.
iii) MX Linux: Outra boa distribuição para uso por usuários finais é a MX. Ela é baseada no Debian, mas acho sua interface menos trabalhada que a do Mint. Entretanto é uma questão de gosto.
iv) Zorin OS: Li que essa distribuição conseguiu o feito de eliminar o Windows em vários locais da Europa. Fiz um teste instalando no meu velho desktop de guerra que vinha suando frio para rodar o Windows 10 e realmente pude ver na prática o quanto ela é amigável e rápida. A interface é muito bem trabalhada e pensada para que usuários do Windows fiquem confortáveis utilizando-a.
2) Software de Produtividade – Padrão Microsoft Office.
Assim como sistemas operacionais, existem vários concorrentes do pacote Office. Mas esses pacotes tornaram-se interessantes, de fato, nos últimos anos. Ainda assim, aqui, cabe uma análise estratégica. O pacote Office 365 é vantajoso se sua equipe é mais avançada e está habituada a conceitos de nuvem e compartilhamento de arquivos, mas o custo é mensal, tem varias versões de pacotes, que ou não tem tudo o que você precisa ou tem coisas demais, entretanto o pacote vem com 1 TB para armazenamento em nuvem e e-mail. Entre as ferramentas pagas, vale olhar o Google Drive com atenção, que já é em nuvem e não precisa de instalações adicionais nos computadores da equipe, agrega e-mail e tem custos parecidos com a ferramenta da Microsoft. Agora, se armazenamento dos seus arquivos em nuvem não é algo que faça diferença para você (até porque, eu como profissional de T.I., só recomendo esse tipo de uso em casos específicos e não para todos os seus colaboradores, pois existem diversas considerações de segurança da informação antes de ir colocando os arquivos da sua empresa na nuvem e compartilhando) existe uma diversidade de ótimas ferramentas que não tem custo de licenciamento. As opções aqui apresentadas são compatíveis com Windows e as distribuições Linux mostradas anteriormente. Então vamos a elas:
i) LibreOffice: A iniciativa de se criar um pacote de softwares de produtividade não é nova. O LibreOffice nasceu a partir do StarOffice (que era pesado e consumia recursos computacionais com voracidade incomum). Mas, em 2010 surge a The Document Foundation e seu principal projeto: o LibreOffice. Com um time de desenvolvedores, dissidentes do projeto StarOffice, focados em desenvolver uma das melhores suítes de produtividade: o LibreOffice. Atualmente, ele é tão ou mais eficiente que o próprio software da Microsoft. Lê arquivos do próprio sistema da Microsoft sem maiores problemas e grava no formato padrão mundial, o Open Document Format ou simplesmente ODF, que é reconhecido perfeitamente por qualquer um dos softwares que coloco nesse artigo, incluindo o Microsoft Office em suas versões mais recentes e via plugins nas versões mais antigas. O LibreOffice é bem completo e o pacote acompanha o processador de texto Writer, a planilha Calc, montagem de apresentações Impress, desenho vetorial Draw, editor de fórmulas matemáticas Math e banco de dados Base. O LibreOffice, inclusive, é padrão em algumas distribuições Linux.
ii) OpenOffice: O outro ramo da antiga suite StarOffice, o OpenOffice tomou um caminho diferente no processo de evolução. Passou nas mãos da Sun Microsystems, Oracle e, por fim, foi repassado para a Apache Software Foundation, que toca o projeto atualmente. Apesar do mesmo código fonte comum, os dois softwares tomaram caminhos distintos e, principalmente, velocidade de desenvolvimento bem diferentes, uma vez que o LibreOffice arrebanhou a grande maioria dos programadores que tocavam o projeto StarOffice. Ele é um pouco mais pesado, principalmente se estiver rodando em Windows, e é menos evoluído que o LibreOffice em questão de funcionalidades. O software de apresentação da suíte é ainda mais parecido com antigas versões do Powerpoint. De qualquer forma é uma ferramenta que deve ser levada em conta, mas, tendo em conta que sua evolução é bem mais lenta que a do LibreOffice. Uma curiosidade é que o nome dos aplicativos é o mesmo dos do LibreOffice.
iii) FreeOffice: Outra suíte interessante para quem procura fugir dos altos valores de licenciamento é o FreeOffice. Ao contrário das duas primeiras opções anteriores o FreeOffice é produzido por uma empresa alemã chamada Softmaker e sua interface é muito parecida com o a do Microsoft Office, facilitando a adaptação. Inclusive, é possível deixa-lo com a mesma interface de versões anteriores do Microsoft Office, como a 2007. Um outro detalhe é que o produto precisa ser ativado, em um processo rápido e por e-mail em que uma chave é enviada. Assim como seus concorrentes acima o FreeOffice tem versões para Windows, Linux e MacOS. Mas exite uma diferença que não deve afetar a grande maioria dos usuários. O FreeOffice tem os 3 aplicativos básicos para esse tipo de ferramenta: o processador de textos TextMaker, planilha de calculo PlanMaker e aplicativo de apresentações Presentations. Aplicativos de desenho, editor de fórmulas matemáticas e banco de dados não estão disponíveis.
Três ressalvas que valem para qualquer um dos pacotes acima que, eventualmente, você venha a escolher para utilizar em sua empresa:
a) Nenhum tem recurso de compartilhamento em nuvem embutido e, se isso é uma necessidade, será necessário contratar um serviço a parte. O LibreOffice já tem iniciativa nesse sentido, mas nada que se compare ao serviço ofertado pela Microsoft. Mas isso é algo que deve mudar bastante nas próximas releases.
b) As ferramentas de planilhas, apesar de muito parecidas, não são o Excel, ao qual a grande maioria dos usuários está treinado/habituado. Este é o ponto de maior pressão quando uma suíte diferente é adotada, com o agravante de que, se você tiver planilhas muito complexas criadas com o Excel, será necessário adaptá-las ao novo software.
c) Nenhuma das ferramentas de apresentação é tão poderosa quanto o PowerPoint, principalmente se comparadas às versões mais recentes do Microsoft Office. De modo geral elas são muito parecidas com o funcionamento das versões 2010 da suíte da Microsoft.

