Lendo as manchetes no site do jornal Gazeta do Povo um artigo me chamou a atenção e fez minha mente começar a processar rapidamente sobre aquele texto. O sugestivo título era "As escolas estão ensinando as crianças a odiar a leitura?" (clique aqui se desejar ler o artigo completo). Fiz um link direto com uma situação que acompanho diariamente em casa, já que tenho dois filhos adolescentes e que parecem querer passar BEM longe de um livro.
Desculpem-me os educadores, mas, realmente, a escola nos ensina a ler, mas, não nos ensina a gostar de ler. Explico.
Isso já acontecia quando eu era estudante, lá nos anos 1980. Os professores de língua portuguesa sempre tentaram nos enfiar livros que, na maioria das vezes nós não tínhamos maturidade para compreender. Não satisfeitos em nos forçar a isso, passávamos aulas e mais aulas dissecando o que o autor quis dizer com isso ou com aquilo. Horas!!
Consigo contar nos dedos quantos dos meus antigos colegas de classe mantém um hábito de leitura. Dos que eu tenho um contato mais direto, somente eu tenho mantido o hábito de ler. Só que leio, ficção, aventuras ou fantasia. Não tenho prazer nenhum em ler nenhum dos "grandes nomes" da literatura nacional e internacional. Passo longe dos Machados de Assis e Guimarães Rosa da vida. E sabe porque? Porque isso foi-me enfiado goela abaixo. Eu e nenhum dos meus colegas tinha maturidade para entender a suposta genialidade de Guimarães Rosa e sua "criação de palavras" - até hoje acho que ele era meio analfabeto. Quando comecei criar palavras minha professora de língua portuguesa pintou toda a minha redação com um lindo tom de vermelho sangue. Quando pedi a explicação de porque aquele individuo podia e eu não...bom...ela não conseguiu explicar. Até porque explicar o inexplicável é impossível, não é mesmo?
Está tudo errado!
Para se expressar bem e escrever bem é preciso ler. Para ler é preciso criar o prazer de ler nas pessoas. E isso se faz desde a mais tenra idade, principalmente em casa, dando o exemplo. Esperar que a escola gere uma nova geração de leitores é querer, que a escola assuma o papel de educar nossos filhos. A escola vai tirar o prazer da leitura deles. Nossa função é resgatar isso e mostrar que a vida fora daquela confusão de naftalinas. Prefiro meu filho lendo Diário de um Banana e minha filha lendo o livro da Maysa Manoela do não ler nada.
Nem tudo está perdido, claro. A escola pode ajudar, sim. Existem algumas ações simples que não vejo mais nas escolas. Na minha época havia uma espécie de clube de leitura. Você escolhia o livro que mais lhe aprouvesse, sem interferência de ninguém. Na minha escola havia muitos livros da coleção vaga-lume, da Editora Ática, que, esses sim, criavam o prazer de ler. Eram rápidos, leves e com histórias com o nível de complexidade ideal para a faixa etária entre 11 e 17 anos. Eu li praticamente toda a primeira leva de títulos dessa coleção.
Cadê os clubes de leitura?
Quer outra ação que os professores de língua portuguesa faziam na minha época de estudante? Eles levavam esses livros para a sala, escolhíamos livremente entre os títulos disponíveis, que não eram poucos, e liamos durante a semana. Ao final fazíamos um resumo sobre o livro e apresentávamos ao professor. Isso tudo com uma carga horária anual muito menor do que a que temos atualmente.
Parece que todas essas iniciativas sumiram, pasteurizadas pelo novo modelo da educação brasileira onde se confunde qualidade de educação com o número de horas que se passa dentro de uma escola.
Eu como profissional, já vejo o efeito dessa geração chegando ao mercado de trabalho, quando leio um simples e-mail em que pessoa não consegue expressar ideias simples, de maneira concisa e com uma certa ordem lógica, sinto um nó na garganta.
Infelizmente não há nada de novo no horizonte que nos de a mínima esperança de que algo mudará. Do governo federal ao governo municipal vemos um bando de burocratas e teóricos que nunca pisaram em uma sala de aula (as vezes tenho a impressão que nem para estudar quando eram crianças) decidindo sobre o futuro da escola de nossos filhos.
Abra o olho!
Se você deseja um futuro melhor para seus rebentos, comece prestando mais atenção neles e nas novidades que trazem da escola ou você criará uma pessoa que já nascerá defasada para um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e avançado que se apresenta ali, logo em frente a esperar pela gente.

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